sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Mudanças e sintomas na gestação.....tudo culpa dos hormônios?

“Cordel Umbilical

Unir as rimas ao papel
É o mesmo que uma gestação
Gerar com amor um cordel
Dar asas à criação
De letras, filhos, rimados
Criados com muito amor
Meninos nada mimados
Meninas com cheiro de flor”




 É quase inevitável não perceber alguns sinais, e sentir alguns sintomas com o início da gestação. A mudança como um todo na mulher é muito grande, então vamos tentar passar por essas mudanças com naturalidade e com a consciência de que tudo isso é necessário para o bom desenvolvimento da gestação.
Mas podemos amenizar esses sintomas de alguma forma, o que explicarei um pouco mais adiante.
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Após a fertilização do óvulo, inicia-se o processo de desenvolvimento do embrião. Quando este embrião atinge a idade de 8 semanas ele já pode ser reconhecido fisicamente como ser humano, carregando as características que temos hoje, passando de desenvolvimento embrionário para desenvolvimento fetal.
O trabalho como ser humano, a luta pela sobrevivência começa a partir daí! O bebê tem que construir-se a partir de uma única célula, aprender a respirar antes de ter pulmões, digerir sem intestino, construir osso enquanto é uma massa, formar variedade de neurônios antes de saber pensar. Essa é a beleza da natureza, o que sempre nos diferenciará de uma máquina, pois à ela nunca será chamada uma função antes de sua construção, já nós temos que funcionar enquanto construímos a nós mesmos.

Portanto a partir de uma única célula e pela divisão celular o embrião passa a ser reconhecido como espécie humana, e para isso, durante essas oito semanas, o bebê tem que crescer 300 vezes!

Bebê com doze semanas:

v  Tamanho do feto : 6 – 7 cm / 13 g
v  Aparecem os centros de ossificação
v  Diferenciação dos dedos
v  Desenvolvimento do nariz e pele 
v  Cabelos rudimentares
v  Genitália externa começa a se definir
vIniciam movimentos espontâneos


feto com 12 semanas



Enfim,

POR QUE OS MÉDICOS RECOMENDAM PARA VOLTAR ÀS ATIVIDADES NORMAIS APÓS O PRIMEIRO TRIMESTRE (12 SEMANAS)?

Até doze semanas a placenta ainda não está totalmente formada. E ela é responsável por: levar o sangue da mãe para o bebê pelo cordão umbilical e eliminar substancias que o bebê não precisa mais. Por isso substâncias químicas como álcool, cigarro e medicamentos são prejudiciais para o bem-estar do bebê, e por ele ter baixo peso a substancia perdura mais tempo nele do que na mãe.
Os músculos do bebê ainda não são funcionais, seus rins ainda não produzem urina e seu sistema neurológico ainda é pouco desenvolvido. Por esses motivos, a chance de aborto espontâneo nos três primeiros meses é maior, daí a necessidade de ficar mais tranquila e ter um cuidado maior.


Mudanças na gestante.... É tudo culpa dos hormônios?

A mulher percebe atraso menstrual, pode começar a sentir cansaço, náuseas matinais, aumento e dor nas mamas, cólicas leves, aumento da sensação de fome, urinar com maior frequência e apresentar alterações no  estado emocional.

Cansaço: Ao longo de toda a gestação, mas principalmente no primeiro trimestre, seu corpo trabalha duro. Você está fabricando a importantíssima placenta, o sistema que sustentará o seu filho. Esse processo só será concluído no final do primeiro trimestre. 

Seus níveis hormonais e seu metabolismo estão mudando rápido, e ao mesmo tempo as taxas de açúcar no sangue e a pressão tendem a cair. Tudo isso contribui para a sensação de cansaço. 

Náuseas matinais: O mecanismo exato que leva mulheres grávidas a sentir enjoos durante todo o primeiro trimestre da gestação é desconhecido. Sabe-se, porém, que as rápidas alterações hormonais do início da gravidez (estrogênio, progesterona e hCG) desempenham um papel importante no quadro. Alguns trabalhos mostraram que quanto mais alto os níveis do hormônio hCG, maior a incidência de náuseas durante a gravidez.
Os hormônios da gravidez, principalmente a progesterona, agem também na motilidade do trato gastrointestinal. Mulheres grávidas apresentam um “estômago preguiçoso”, que demora a se esvaziar, o que além de favorecer o aparecimento das náuseas, provoca também uma sensação de saciedade precoce, impedindo a ingestão de grandes quantidades de alimento. A gestante sente-se “empanturrada” com muita facilidade.
Dica: fazer pequenas refeições varias vezes ao dia (em torno de seis) para não ficar com o estomago vazio, baixa taxa de açúcar no sangue piora as náuseas, portanto pode levar consigo biscoitos para comer durante o dia. Beba seus alimentos ao invés de come-los (ex: vitaminas). Evite açucares simples. Evite qualquer alimento ou odores que lhe incomodam. Beba bebidas gaseificadas sem cafeína. O gengibre alivia o trato digestivo e ajuda na eliminação dos gases.

Dor nas mamas: com o seu corpo se preparando para os meses de gravidez que estão por vir, é produzida uma quantidade muito maior de estrogênio e de progesterona. Esse aumento gera maior circulação de sangue nos seios, alterando seu tecido e deixando-os inchados, doloridos e muito mais sensíveis. É como o sintoma de uma TPM, porém em escala potencializada. Algumas mulheres chegam a se incomodar com o toque das roupas, de tanta sensibilidade. Isso tende a melhorar no segundo trimestre de gravidez, quando o corpo se acostuma com essa taxa de hormônios, mas os seios podem continuar sensíveis. Mas essas alterações são importantes para preparar seus seios para a amamentação
Dicas: Sutiãs com alças maiores e específicos para gestantes;
Banhos de sol no mamilo por curtos períodos pela manhã, sempre antes das 10 horas e com uso de filtro solar com fator de proteção adequado à sua pele;
Leve movimentação do seio com a mão (segurar levemente o bico com o dedo indicador, enquanto faça movimentos leves do seio para os lados).

Cólicas leves: As dores começam como cólicas e á medida que crescem, ou seja, ficam mais intensas podendo evoluir e serem acompanhadas de pequenos sangramento. O sangramento é menos comum que a cólica, porém há casos de mulheres que pensam estar menstruadas e por isso não suspeitam da gravidez.

Dicas: o importante é investigar a causa desta cólica e tratá-la corretamente após uma avaliação médica.

Aumento da sensação de fome: O gasto calórico necessário para se levar uma gestação até o fim é de aproximadamente 80.000 calorias. Isso é necessário para suprir o crescimento e desenvolvimento fetal, aumento de útero, mamas, estoques de gordura e aumento dos sistemas cardiovascular, respiratório e urinário. Para isso, então a gestante necessita de maior consumo alimentar.
As alterações endócrinas que ocorrem durante a gravidez levam a mudanças no centro da fome localizado no cérebro fazendo com que a gestante tenha mais vontade de comer.

Urinar com maior frequência: Logo nos primeiros dias após a implantação a gestante pode sentir vontade de fazer xixi com mais frequência, inclusive de madrugada. Nas primeiras semanas de gestação isso ocorre porque a progesterona também relaxa a bexiga, que não esvazia completamente quando a gestante vai urinar, e pouco tempo depois está com vontade de urinar novamente.
Já no terceiro trimestre a vontade de urinar toda hora volta com força total, pois o feto comprime a bexiga que fica com capacidade reduzida para armazenar urina.


Lembre-se que apesar desses sintomas serem justificados pelo aumento dos hormônios, não devemos esquecer que eles podem sempre se intensificar de acordo com nosso estado emocional.



 Laura Ezequiel Rodrigues
Fisioterapeuta Uroginecológica, Doula na Tradição, Instrutora de Pilates
laurarodrigues.fisioterapia@gmail.com

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