sábado, 27 de dezembro de 2014
2 - Partos na tradição - Os princípios da tradição
3 - Partos na tradição - Os elementos da tradição
4 - Partos na tradição - Parteira tradicional e parteira na tradição
5 - Partos na tradição - A criança nascida do parto na tradição
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
A importância do Assoalho Pélvico na gestação
O que é Assoalho Pélvico?
Pouco ouvimos falar dos músculos do assoalho pélvico na nossa vida: primeiro por que são músculos que não enxergamos e segundo por se tratar de músculos que compõem o períneo feminino e ainda ser um tabu conversar com as pessoas sobre o assunto e desde crianças as meninas são praticamente proibidas de falar sobre vagina e conhecer seu corpo é errado.
O assoalho pélvico é composto por cinco músculos profundos: pubococcígeo, ileococcígeo, isquiococcígeo e puborretal. Eles formam o "chão" que sustenta todos nossos órgão e vísceras abdominais e todos se inserem na nossa pelve.
Pouco ouvimos falar dos músculos do assoalho pélvico na nossa vida: primeiro por que são músculos que não enxergamos e segundo por se tratar de músculos que compõem o períneo feminino e ainda ser um tabu conversar com as pessoas sobre o assunto e desde crianças as meninas são praticamente proibidas de falar sobre vagina e conhecer seu corpo é errado.
O assoalho pélvico é composto por cinco músculos profundos: pubococcígeo, ileococcígeo, isquiococcígeo e puborretal. Eles formam o "chão" que sustenta todos nossos órgão e vísceras abdominais e todos se inserem na nossa pelve.
E também temos os músculos superficiais: Bulboesponjoso, isquiocavernoso e transverso superficial do períneo, responsáveis pela sensibilidade externa da vagina.
Durante a gestação, com o aumento de peso corpóreo e aumento do útero, esses músculos passam a ter uma sobrecarga muito maior que o de costume e com isso pode acarretar em algumas consequências:
A Incontinência Urinária de Esforço (perda de urina com o aumento da pressão intra abdominal: tosse, espirro, levantar peso) é a queixa mais comum entra as gestantes, porém muitas acham ser um problema passageiro e não procuram ajuda. Mas caso essa musculatura não for trabalhada e torná-la forte, o problema pode continuar após o parto.
Futuramente, principalmente as multíparas (mulheres que passaram por mais de um parto) se não cuidarem do seus músculos do assoalho pélvico, tem a chance aumentada de ter algum tipo de prolapso ("bexiga ou útero caído")
Um músculo fraco por estar muito tenso, incapacitado de se alongar, ter mais chance de sofrer lacerações no período expulsivo no trabalho de parto. Essas lacerações maiores podem causar o que chamamos de fibrose, que é inelástica e futuramente trazer problemas sexuais para a mulher (dor na relação sexual).
Como Prevenir e cuidar do Assoalho Pélvico?
Após o terceiro trimestre de gestação e com a autorização do seu médico de confiança já pode iniciar um programa de exercícios adequados para cada fase da gestação.
- Conscientização do Períneo, exercícios de fortalecimento para fibras de sustentação e explosão realizados juntamente com a respiração correta.
- A partir da 34º semana, iniciar a massagem perineal (que é feita na musculatura superficial e profunda do períneo) para alongar a essa musculatura e prepará-la para o parto), pode ser realizada pela gestante, parceiro ou pelo seu fisioterapeuta de confiança
- Ou utilizar o Epi-No (No Episiotomia) a partir da 34º semana também - aparelho que possui um balão inflável que é introduzido na vagina da gestante e é insuflado até antes de sentir dor, ele faz com que os músculos se tronem mais flexíveis para a passagem do bebê.
Caso a gestante queira utilizar o Epi-No, é de extrema importância que seja ensinado corretamente por um profissional capacitado como utilizar o aparelho corretamente para não causar nenhum dano à mulher.
Da mesma maneira que cuidamos, ou tentamos cuidar do nosso corpo, é fundamental que a mulher comece a atentar-se para seu períneo, pois tento ele forte e saudável os riscos de problemas futuros são bem menores....
Laura Ezequiel Rodrigues
Fisioterapeuta especialista em Uroginecologia e Obstetrícia, Instrutora de Pilates, Terapeuta Manual e Shantala para Bebês, Doula Aprendiz na Tradição.
laurarodrigues.fisioterapia@gmail.com
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quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Tipos de Leite
Variedades do leite materno.
No primeiro post falei um pouco sobre o colostro, o primeiro leite que é produzido depois do parto. Resolvi falar um pouco sobre os tipos de leite. Será que existe diferença de leite produzido pelas mulheres? Sim, existe. Cada mãe produz o leite apropriado para seu bebê, até quando ele nasce prematuro.
Leite Precoce: na gravidez a mulher já está produzindo leite, isso se chama lactogênese é semelhante ao colostro, então no caso de prematuridade, esse leite tem todos os nutrientes que ele precisa.
Colostro: é a primeira secreção após o parto, pode ser produzido de 2 a 20 ml nós três primeiros dias. Você pode achar que essa quantidade é pouca, mas é o necessário para alimentar um recém-nascido, não se esqueça que o estomago dele também não é grande.
Leite Maduro: produzido após alguns dias do parto, conhecemos como a descida do leite, algumas mulheres relatam que sentem as mamas ficarem mais pesadas, esse leite é produzido em duas fases durante a mamada, leite anterior e posterior.
Leite Anterior : mais azulado, acho que o mito do "leite fraco" começou por esse leite ter a aparência mais rala, mais não é nada disso, ele é rico em água e açúcar, o que sacia a sede do bebê, por isso bebê que mama exclusivamente não precisa tomar água! Mas só esse leite não sacia a fome do seu filho, por isso falamos que temos que esvaziar a mama antes de passar para a outra.
Leite Posterior: é produzido no final da mamada é rico em gordura e prover a energia necessária, importante para o ganho de peso, portanto não tire seu filho rapidamente da mama, espere ele se saciar, pois a privação deste leite pode ter consequências, o bebê não ganha peso, causando problemas de saúde.
"Amamentar nosso filho será simples se nos dermos conta de que é semelhante a fazer amor: no princípio precisamos nos conhecer. E isso se consegue melhor estando sozinhos, sem pressa". A maternidade encontro com a própria sombra/ Laura Gutman.
Tatyara Lira
Consultora em Aleitamento Materno, Aprendiz de Doula na Tradição,
Educadora Perinatal, mãe da Sophia.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Criando vínculo
Muitas mulheres demoram um tempo para
assimilar que tem um novo ser que depende dela
e às vezes o vínculo não acontece instantaneamente. Qual é a melhor
forma de começar então?
A resposta é a
amamentação.
Através da amamentação você estará nutrindo o seu filho(a) duas vezes, com amor
e alimento, por isso e super importante que seja feita nas primeiras horas de
vida do bebê.
Esses são os aspectos emocionais que
amamentação contribui, mas existem os aspectos físicos , a contração uterina
que faz com que o orgão volte ao sua antiga forma, o colostro que é o primeiro
leite mais grosso de cor amarelada ou transparente, é rico em anticorpos,
leucócitos, laxantes, fatores de crescimento, ricos em vitamina A, em uma
linguagem bem simples é tipo a primeira vacina do bebê. Acontece que pelo
colostro sair em menor quantidade as mães acham que não tem leite , fiquem
calmas o colostro está alimentando seu bebê e após alguns dias o leite maduro
(descida do leite) será produzido.
O mais importante é que você e seu bebê
estejam em um ambiente calmo e que vocês possam desfrutar a companhia um do
outro, não foi por isso que você aguardava ansiosamente? Então aproveite !
Tatyara Lira
Consultora em Aleitamento Materno, Aprendiz de Doula na Tradição, Educadora Perinatal, mãe da Sophia.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
Programação da semana 27 a 31/10/14
Programação da semana:
Segunda
15h00 - Pilates Mamãe Bebê (NOVO!)
17h30 - Pilates (gestantes e não gestantes)
19h00 - Yoga para Gestantes
15h00 - Pilates Mamãe Bebê (NOVO!)
17h30 - Pilates (gestantes e não gestantes)
19h00 - Yoga para Gestantes
Terça
09h30 e 18h30 - Yoga para Gestantes
20h00 - Roda de Casais Grávidos e Gestantes
09h30 e 18h30 - Yoga para Gestantes
20h00 - Roda de Casais Grávidos e Gestantes
Quarta
15h00 - Yoga Mamãe Bebê (Para bebês a partir de 40 dias)
16h00 - Roda de Pós Parto
17h30 - Pilates (gestantes e não gestantes)
19h00 - Yoga para Gestantes
15h00 - Yoga Mamãe Bebê (Para bebês a partir de 40 dias)
16h00 - Roda de Pós Parto
17h30 - Pilates (gestantes e não gestantes)
19h00 - Yoga para Gestantes
Quinta
08h00 - Pilates (gestantes e não gestantes)
09h30 - Yoga para Gestantes
08h00 - Pilates (gestantes e não gestantes)
09h30 - Yoga para Gestantes
Aulas de PILATES acontecem em diversos horários e dias, consulte.
Disponibilizamos atendimentos de:
- Fisioterapia da Mulher
- Aplicação de Reiki e Magnified Healing Light
- Consultas de Homeopatia com Dr. Marcos Bressan
- Serviço de Doula, Parto Natural e Parto Domiciliar
- Consultoria em Amamentação e Cuidados com Bebê
- Fisioterapia da Mulher
- Aplicação de Reiki e Magnified Healing Light
- Consultas de Homeopatia com Dr. Marcos Bressan
- Serviço de Doula, Parto Natural e Parto Domiciliar
- Consultoria em Amamentação e Cuidados com Bebê
Ótima semana!
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quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Medo do parto ou medos desconhecidos: as bagagens que carregamos para o parto
As bagagens que carregamos para o parto
O medo, a insegurança, a falta de auto-confiança, a distância em relação ao corpo são pesos que carregamos para o parto e vão condicioná-lo. Preparar-se para o parto é sobretudo aliviar a carga.
A parteira mexicana Naoli Vinaver diz que carregamos muitas malas conosco para o parto. Não é só a mala com as nossas roupas e as do bebé. São as malas com tudo o que temos por resolver na nossa vida, com tudo aquilo que o que nos amarra. São malas bem pesadas, por vezes. E às vezes são imensas.
Durante o trabalho de parto vamos libertando-nos de muitas delas, vamos-nos desamarrando. Por isso se diz que o parto pode ser transformador. Mas se o peso for excessivo, o parto pode arrastar-se, complicar-se ou até não ter início.
Sabemos que a muitas mulheres falhavam em ter seus filhos de uma forma mais natural porque algo emocional, além do corpo as impedia.
O medo faz com que as mulheres estejam contraídas e não deixa libertar as hormonas que estimulam as contrações e a dilatação. Isto é assim porque somos mamíferos e a natureza, que sabe o que faz, encontrou esta forma de proteger as nossas crias: elas não nasceriam em ambiente ameaçador, mas apenas quando a mãe estivesse tranquila e segura.
É preciso aliviar a carga e preparar-se. Faça-o por si e pelo seu bebé. Um parto com menos intervenção é um parto mais saudável, com menos riscos, que leva a um pós-parto infinitamente mais fácil. O poder de dar à luz o seu bebé está em si. Só tem de descobri-lo. Deixamos-lhe algumas dicas:
- Converse com alguém da sua confiança, fale dos seus medos, mesmo daqueles que parecem mais inconfessáveis, mais patetas, mais simples ou mais complicados.
- Se não tem ninguém com quem falar do mais íntimo do íntimo, dos medos mais inconfessáveis, se lhe custa verbalizar, ouvir-se dizer coisas que ainda nem percebeu muito bem... escreva. Um diário de gravidez é bom, mas é para deixar para a história. Escreva num caderno que seja só seu, onde não sinta os olhares de quem vai ler.
- Registe sentimentos, medos, inseguranças e estará a libertar-se de um grande peso. Escrever é uma excelente maneira de deitar cá para fora porque ninguém nos está a ouvir, mas também de organizar as ideias, trabalhar os medos, estruturar as prioridades.
- Procure uma doula que a poderá acompanhará na gravidez, no parto e no pós-parto dando-lhe apoio emocional, ajudando-a a desfazer muitos dos seus medos.
- Faça uma lista daquilo que quer fazer ou resolver antes de do parto. Não se limite às compras e à preparação do quarto do bebé.
- Pratique ioga ou pilates. Ajuda não só fisicamente, mas também mentalmente promovendo bem-estar e a união com o bebé.
- Aprenda técnicas de relaxamento ou meditação. Para quem tem altos níveis de ansiedade, estas técnicas são uma excelente forma de encontrar mais tranquilidade e confiança no próprio corpo. Um relaxamento profundo produz ondas cerebrais alfa, diminui a tensão arterial, reduz a tensão muscular, logo reduz também o stress e a ansiedade.
- Visualização positiva: visualizar o bebé estimula a ligação com ele e acalma os medos.
Abrande o ritmo perto do final da gestação. Se puder, suspenda o trabalho. Dedique-se a fazer o ninho e relaxar. Passeios à beira-mar e ouvir música são boas atividades para aproveitar o fim do tempo de gestação.
O medo, a insegurança, a falta de auto-confiança, a distância em relação ao corpo são pesos que carregamos para o parto e vão condicioná-lo. Preparar-se para o parto é sobretudo aliviar a carga.
A parteira mexicana Naoli Vinaver diz que carregamos muitas malas conosco para o parto. Não é só a mala com as nossas roupas e as do bebé. São as malas com tudo o que temos por resolver na nossa vida, com tudo aquilo que o que nos amarra. São malas bem pesadas, por vezes. E às vezes são imensas.
Durante o trabalho de parto vamos libertando-nos de muitas delas, vamos-nos desamarrando. Por isso se diz que o parto pode ser transformador. Mas se o peso for excessivo, o parto pode arrastar-se, complicar-se ou até não ter início.
Sabemos que a muitas mulheres falhavam em ter seus filhos de uma forma mais natural porque algo emocional, além do corpo as impedia.
O medo faz com que as mulheres estejam contraídas e não deixa libertar as hormonas que estimulam as contrações e a dilatação. Isto é assim porque somos mamíferos e a natureza, que sabe o que faz, encontrou esta forma de proteger as nossas crias: elas não nasceriam em ambiente ameaçador, mas apenas quando a mãe estivesse tranquila e segura.
É preciso aliviar a carga e preparar-se. Faça-o por si e pelo seu bebé. Um parto com menos intervenção é um parto mais saudável, com menos riscos, que leva a um pós-parto infinitamente mais fácil. O poder de dar à luz o seu bebé está em si. Só tem de descobri-lo. Deixamos-lhe algumas dicas:
- Converse com alguém da sua confiança, fale dos seus medos, mesmo daqueles que parecem mais inconfessáveis, mais patetas, mais simples ou mais complicados.
- Se não tem ninguém com quem falar do mais íntimo do íntimo, dos medos mais inconfessáveis, se lhe custa verbalizar, ouvir-se dizer coisas que ainda nem percebeu muito bem... escreva. Um diário de gravidez é bom, mas é para deixar para a história. Escreva num caderno que seja só seu, onde não sinta os olhares de quem vai ler.
- Registe sentimentos, medos, inseguranças e estará a libertar-se de um grande peso. Escrever é uma excelente maneira de deitar cá para fora porque ninguém nos está a ouvir, mas também de organizar as ideias, trabalhar os medos, estruturar as prioridades.
- Procure uma doula que a poderá acompanhará na gravidez, no parto e no pós-parto dando-lhe apoio emocional, ajudando-a a desfazer muitos dos seus medos.
- Faça uma lista daquilo que quer fazer ou resolver antes de do parto. Não se limite às compras e à preparação do quarto do bebé.
- Pratique ioga ou pilates. Ajuda não só fisicamente, mas também mentalmente promovendo bem-estar e a união com o bebé.
- Aprenda técnicas de relaxamento ou meditação. Para quem tem altos níveis de ansiedade, estas técnicas são uma excelente forma de encontrar mais tranquilidade e confiança no próprio corpo. Um relaxamento profundo produz ondas cerebrais alfa, diminui a tensão arterial, reduz a tensão muscular, logo reduz também o stress e a ansiedade.
- Visualização positiva: visualizar o bebé estimula a ligação com ele e acalma os medos.
Abrande o ritmo perto do final da gestação. Se puder, suspenda o trabalho. Dedique-se a fazer o ninho e relaxar. Passeios à beira-mar e ouvir música são boas atividades para aproveitar o fim do tempo de gestação.
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40 semanas, e se o bebê não nasceu?
As 40 semanas de gestação
Existe uma prática recente na medicina em se que estabelece, através de ultrasonografias e pela data da ultima menstruação, a Data Provável do Parto. Esse dia quer dizer exatamente o que? Nada!
Sim, não quer dizer nada. Simplesmente tem sido usada como uma data de corte, onde querem dizer que se o bebê não nascer até aquele dia ou naquele dia, ele vai passar da hora. Porém essa hora não tem como ser determinada, nem pela medicina.
Vamos para as explicações lógicas:
Do primeiro dia da menstruação até o possível período fértil, não havia gravidez. Esse período calcula-se em média 14 dias. Depois dos 14 dias existe a maior probabilidade de ter ocorrido o período fértil e então a gravidez.
Quando a mulher sabe da gestação ela passa a contar as "semanas" a partir do primeiro dia da menstruação. Porém existem essas duas semanas que não havia gestação. E quando ela vai pela primeira vez a sua consulta pré-natal, essa conta das 40 semanas é feita com base na última menstruação, considerando também aquelas 2 semanas que não havia gravidez.
Então a gestação se desenvolve e sempre estimando uma idade gestacional mais adiantada do que de fato é. Uma gestação de 40 semanas, tirando os 14 dias que se refere do primeiro dia da menstruação até o possível período fértil, é na verdade uma gestação de aproximadamente 38 semanas. Certo?
Existem estudo que comprovam que somente 6% dos bebês nascem nessa data (im)provável do parto, se deixassem, os outros 94% nasce(riam) depois.
Além dos estudos, que também são recentes, sabe-se que uma gestação saudável chega até os 9 meses completos (até 42 semanas). Antes de ultra-sons existirem e o parto ser um evento médico, ou seja, desde que a humanidade existe, os bebês nascem quando estão prontos.
Quando o bebê está pronto o seu pulmão libera um hormônio que entra na corrente sanguínea da mãe e o cérebro avisa que ja pode iniciar o trabalho de parto. Não tem segredo, o corpo humano é perfeito e se não atrapalharmos, ele sabe como funcionar.
Essas 40 semanas é só uma data como outra qualquer e não significa que o bebê tem de nascer naquele dia ou vai passar da hora. O termo passar da hora é mais um dos infinitos mitos da medicina contemporânea para poder agilizar e mecanizar um evento que é fisiológico.
Fazendo o pré-natal e sendo o acompanhada por profissionais de confiança, pode e deve esperar até o momento em que o bebê estiver pronto para nascer. E ele nasce.
Para superar a ansiedade é preciso entender que nenhum ser humano no planeta tem controle sobre o parto. Embora a medicina tente, nem ela consegue desvendar os mistérios que envolvem a gestação e o parto. Se fosse algo para ser desvendado o corpo humano já viria preparado para isso.
O que podemos fazer nas últimas semanas de gestação é esperar. De preferência com a cabeça livre de preocupações desnecessárias, sendo bem acompanhada por profissionais que acreditam que o parto é fisiológico e a mulher capaz de trazer seu filho ao mundo, descansar, se alimentar bem e manter o vínculo entre mãe-bebê. A mãe, se conectada a sua intuição, sempre sabe se está ou não tudo bem.
Muito mais do que fisiológico, o nascimento é SAGRADO. Um momento de plena conexão com o Divino, em que um ser espiritual chega nesse mundo para sua vivência terrena.
Nascer é sagrado e vai acontecer no momento em que finalizar o periodo de gestação. Nem antes e nem depois. Na hora certa. A nós só cabe cuidar, se informar e esperar.
Thiana
Parteira na Tradição
Doula
Existe uma prática recente na medicina em se que estabelece, através de ultrasonografias e pela data da ultima menstruação, a Data Provável do Parto. Esse dia quer dizer exatamente o que? Nada!
Sim, não quer dizer nada. Simplesmente tem sido usada como uma data de corte, onde querem dizer que se o bebê não nascer até aquele dia ou naquele dia, ele vai passar da hora. Porém essa hora não tem como ser determinada, nem pela medicina.
Vamos para as explicações lógicas:
Do primeiro dia da menstruação até o possível período fértil, não havia gravidez. Esse período calcula-se em média 14 dias. Depois dos 14 dias existe a maior probabilidade de ter ocorrido o período fértil e então a gravidez.
Quando a mulher sabe da gestação ela passa a contar as "semanas" a partir do primeiro dia da menstruação. Porém existem essas duas semanas que não havia gestação. E quando ela vai pela primeira vez a sua consulta pré-natal, essa conta das 40 semanas é feita com base na última menstruação, considerando também aquelas 2 semanas que não havia gravidez.
Então a gestação se desenvolve e sempre estimando uma idade gestacional mais adiantada do que de fato é. Uma gestação de 40 semanas, tirando os 14 dias que se refere do primeiro dia da menstruação até o possível período fértil, é na verdade uma gestação de aproximadamente 38 semanas. Certo?
Existem estudo que comprovam que somente 6% dos bebês nascem nessa data (im)provável do parto, se deixassem, os outros 94% nasce(riam) depois.
Além dos estudos, que também são recentes, sabe-se que uma gestação saudável chega até os 9 meses completos (até 42 semanas). Antes de ultra-sons existirem e o parto ser um evento médico, ou seja, desde que a humanidade existe, os bebês nascem quando estão prontos.
Quando o bebê está pronto o seu pulmão libera um hormônio que entra na corrente sanguínea da mãe e o cérebro avisa que ja pode iniciar o trabalho de parto. Não tem segredo, o corpo humano é perfeito e se não atrapalharmos, ele sabe como funcionar.
Essas 40 semanas é só uma data como outra qualquer e não significa que o bebê tem de nascer naquele dia ou vai passar da hora. O termo passar da hora é mais um dos infinitos mitos da medicina contemporânea para poder agilizar e mecanizar um evento que é fisiológico.
Fazendo o pré-natal e sendo o acompanhada por profissionais de confiança, pode e deve esperar até o momento em que o bebê estiver pronto para nascer. E ele nasce.
Para superar a ansiedade é preciso entender que nenhum ser humano no planeta tem controle sobre o parto. Embora a medicina tente, nem ela consegue desvendar os mistérios que envolvem a gestação e o parto. Se fosse algo para ser desvendado o corpo humano já viria preparado para isso.
O que podemos fazer nas últimas semanas de gestação é esperar. De preferência com a cabeça livre de preocupações desnecessárias, sendo bem acompanhada por profissionais que acreditam que o parto é fisiológico e a mulher capaz de trazer seu filho ao mundo, descansar, se alimentar bem e manter o vínculo entre mãe-bebê. A mãe, se conectada a sua intuição, sempre sabe se está ou não tudo bem.
Muito mais do que fisiológico, o nascimento é SAGRADO. Um momento de plena conexão com o Divino, em que um ser espiritual chega nesse mundo para sua vivência terrena.
Nascer é sagrado e vai acontecer no momento em que finalizar o periodo de gestação. Nem antes e nem depois. Na hora certa. A nós só cabe cuidar, se informar e esperar.
Thiana
Parteira na Tradição
Doula
sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Mudanças e sintomas na gestação.....tudo culpa dos hormônios?
“Cordel Umbilical
Unir as rimas ao papel
É o mesmo que uma gestação
Gerar com amor um cordel
Dar asas à criação
De letras, filhos, rimados
Criados com muito amor
Meninos nada mimados
Meninas com cheiro de flor”
Unir as rimas ao papel
É o mesmo que uma gestação
Gerar com amor um cordel
Dar asas à criação
De letras, filhos, rimados
Criados com muito amor
Meninos nada mimados
Meninas com cheiro de flor”
É quase inevitável não perceber alguns sinais, e sentir alguns sintomas com o início da gestação. A mudança como um todo na mulher é muito grande, então vamos tentar passar por essas mudanças com naturalidade e com a consciência de que tudo isso é necessário para o bom desenvolvimento da gestação.
Mas podemos amenizar esses sintomas de alguma forma, o que explicarei um pouco mais adiante.
Mas podemos amenizar esses sintomas de alguma forma, o que explicarei um pouco mais adiante.
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Após a fertilização
do óvulo, inicia-se o processo de desenvolvimento do embrião. Quando este
embrião atinge a idade de 8 semanas ele já pode ser reconhecido fisicamente
como ser humano, carregando as características que temos hoje, passando de
desenvolvimento embrionário para desenvolvimento fetal.
O trabalho como ser
humano, a luta pela sobrevivência começa a partir daí! O bebê tem que
construir-se a partir de uma única célula, aprender a respirar antes de ter
pulmões, digerir sem intestino, construir osso enquanto é uma massa, formar
variedade de neurônios antes de saber pensar. Essa é a beleza da natureza, o
que sempre nos diferenciará de uma máquina, pois à ela nunca será chamada uma função
antes de sua construção, já nós temos que funcionar enquanto construímos a nós
mesmos.
Portanto a partir de
uma única célula e pela divisão celular o embrião passa a ser reconhecido como
espécie humana, e para isso, durante essas oito semanas, o bebê tem que crescer
300 vezes!
Bebê com doze
semanas:
v Aparecem os centros de
ossificação
v Diferenciação dos dedos
v Desenvolvimento do nariz e
pele
v Cabelos rudimentares
v Genitália externa começa a se definir
v Genitália externa começa a se definir
Enfim,
POR QUE OS MÉDICOS RECOMENDAM PARA VOLTAR ÀS
ATIVIDADES NORMAIS APÓS O PRIMEIRO TRIMESTRE (12 SEMANAS)?
Até doze semanas a
placenta ainda não está totalmente formada. E ela é responsável por: levar o
sangue da mãe para o bebê pelo cordão umbilical e eliminar substancias que o
bebê não precisa mais. Por isso substâncias químicas como álcool, cigarro e
medicamentos são prejudiciais para o bem-estar do bebê, e por ele ter baixo
peso a substancia perdura mais tempo nele do que na mãe.
Os músculos do bebê
ainda não são funcionais, seus rins ainda não produzem urina e seu sistema
neurológico ainda é pouco desenvolvido. Por esses motivos, a chance de aborto
espontâneo nos três primeiros meses é maior, daí a necessidade de ficar mais
tranquila e ter um cuidado maior.
Mudanças na gestante.... É tudo culpa dos
hormônios?
A mulher percebe
atraso menstrual, pode começar a sentir cansaço, náuseas matinais, aumento e
dor nas mamas, cólicas leves, aumento da sensação
de fome, urinar com maior frequência e apresentar alterações no estado emocional.
Cansaço: Ao longo de toda a gestação, mas principalmente no primeiro
trimestre, seu corpo trabalha duro. Você está fabricando a importantíssima
placenta, o sistema que sustentará o seu filho. Esse processo só será concluído
no final do primeiro trimestre.
Seus níveis hormonais e seu metabolismo estão mudando rápido, e ao mesmo tempo as taxas de açúcar no sangue e a pressão tendem a cair. Tudo isso contribui para a sensação de cansaço.
Seus níveis hormonais e seu metabolismo estão mudando rápido, e ao mesmo tempo as taxas de açúcar no sangue e a pressão tendem a cair. Tudo isso contribui para a sensação de cansaço.
Náuseas
matinais: O
mecanismo exato que leva mulheres grávidas a sentir enjoos durante todo o
primeiro trimestre da gestação é desconhecido. Sabe-se, porém, que as rápidas
alterações hormonais do início da gravidez (estrogênio, progesterona e hCG)
desempenham um papel importante no quadro. Alguns trabalhos mostraram que
quanto mais alto os níveis do hormônio hCG, maior a incidência de náuseas
durante a gravidez.
Os
hormônios da gravidez, principalmente a progesterona, agem também na motilidade
do trato gastrointestinal. Mulheres grávidas apresentam um “estômago
preguiçoso”, que demora a se esvaziar, o que além de favorecer o aparecimento
das náuseas, provoca também uma sensação de saciedade precoce, impedindo a
ingestão de grandes quantidades de alimento. A gestante sente-se “empanturrada”
com muita facilidade.
Dica: fazer pequenas refeições varias
vezes ao dia (em torno de seis) para não ficar com o estomago vazio, baixa taxa
de açúcar no sangue piora as náuseas, portanto pode levar consigo biscoitos
para comer durante o dia. Beba seus alimentos ao invés de come-los (ex:
vitaminas). Evite açucares simples. Evite qualquer alimento ou odores que lhe
incomodam. Beba bebidas gaseificadas sem cafeína. O gengibre alivia o trato
digestivo e ajuda na eliminação dos gases.
Dor nas mamas: com o seu corpo se
preparando para os meses de gravidez que estão por vir, é produzida uma
quantidade muito maior de estrogênio e de progesterona. Esse aumento gera maior
circulação de sangue nos seios, alterando seu tecido e deixando-os inchados, doloridos
e muito mais sensíveis. É como o sintoma de uma TPM, porém em escala
potencializada. Algumas mulheres chegam a se incomodar com o toque das roupas,
de tanta sensibilidade. Isso tende a melhorar no segundo trimestre de gravidez,
quando o corpo se acostuma com essa taxa de hormônios, mas os seios podem
continuar sensíveis. Mas essas alterações são importantes para preparar seus
seios para a amamentação
Dicas: Sutiãs
com alças maiores e específicos para gestantes;
Banhos de sol no mamilo por curtos
períodos pela manhã, sempre antes das 10 horas e com uso de filtro solar com
fator de proteção adequado à sua pele;
Leve movimentação do seio com a mão
(segurar levemente o bico com o dedo indicador, enquanto faça movimentos leves
do seio para os lados).
Cólicas leves: As dores começam como cólicas e á medida que crescem, ou
seja, ficam mais intensas podendo evoluir e serem acompanhadas de pequenos
sangramento. O sangramento é menos comum que a cólica, porém há casos de
mulheres que pensam estar menstruadas e por isso não suspeitam da gravidez.
Dicas: o importante é investigar a causa
desta cólica e tratá-la corretamente após uma avaliação médica.
Aumento da sensação de fome: O gasto calórico necessário para se
levar uma gestação até o fim é de aproximadamente 80.000 calorias. Isso é
necessário para suprir o crescimento e desenvolvimento fetal, aumento de
útero, mamas, estoques de gordura e aumento dos sistemas cardiovascular,
respiratório e urinário. Para isso, então a gestante necessita de maior
consumo alimentar.
As alterações endócrinas que
ocorrem durante a gravidez levam a mudanças no centro da fome localizado
no cérebro fazendo com que a gestante tenha mais vontade de comer.
Urinar com maior frequência: Logo
nos primeiros dias após a implantação a gestante pode sentir vontade de fazer
xixi com mais frequência, inclusive de madrugada. Nas primeiras semanas de
gestação isso ocorre porque a progesterona também relaxa a bexiga, que não
esvazia completamente quando a gestante vai urinar, e pouco tempo depois está
com vontade de urinar novamente.
Já no terceiro trimestre a vontade de urinar toda hora volta com força total, pois o feto comprime a bexiga que fica com capacidade reduzida para armazenar urina.
Já no terceiro trimestre a vontade de urinar toda hora volta com força total, pois o feto comprime a bexiga que fica com capacidade reduzida para armazenar urina.
Lembre-se que apesar desses sintomas
serem justificados pelo aumento dos hormônios, não devemos esquecer que eles
podem sempre se intensificar de acordo com nosso estado emocional.
Laura Ezequiel Rodrigues
Fisioterapeuta Uroginecológica, Doula na Tradição, Instrutora de Pilates
laurarodrigues.fisioterapia@gmail.com
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Estou grávida, e agora?
"O que é o medo senão o desconhecido, o absolutamente novo? Aquilo que não podemos reconhecer nem classificar?" (Frederick Leboyer)
Quando falamos de mulher,
estamos nos referindo a um ser humano, ou seja, um ser individualizado, portando muitas coisas
descritas embasadas em estudos não são regras para todas as gestantes. Cada uma
terá seu modo particular de gestar.
COMO ACONTECE A CONCEPÇÃO
O ciclo reprodutor da mulher é um evento mensal dividido em
duas fases. Durante a primeira metade do ciclo, a fase folicular, a glândula
pituitária em seu cérebro produz o hormônio FSH (hormônio folículo estimulante), que faz com que seus ovários produzam
o hormônio estrógeno. Sob influencia do estrógeno os óvulos começam a
amadurecer, e nos dias 12 a 15 de seu
ciclo, um dos óvulos estará maturo o bastante para ovular.
A partir daí o FSH diminui e começa a produzir o LH (hormônio luteinizante), que faz com
que o folículo libere o óvulo, a famosa ovulação! E então seu organismo passa a
produzir a progesterona, a qual prepara seu útero para uma possível implantação
do óvulo, criando um meio nutritivo onde ele possa se desenvolver.
Nesse meio tempo o óvulo é transportado até o tubo falopiano
em direção ao útero. Se a gravidez ocorrer, acontecerá dentro de 12 a 18 horas
após a ovulação.
Como o macho não possui ciclo reprodutivo, seu esperma deve
entrar pelo canal cervical no tempo correto se a fertilização for ocorrer. Por incrível
que pareça, uma ejaculação contém em torno de 200 a 400 milhões de
espermatozoides, e ainda assim não é fácil desses espermas encontrarem o
caminho (já somos disputadas desde o princípio não?).
A qualquer hora, de cinco minutos a dois dias após o ato
sexual, alguns espermas podem estar na posição correta para fertilizar um óvulo
que possa estar descendo pelo tubo. Este óvulo fecundado pelo espermatozoide vai descer até o útero e se aconchegar no endométrio. (Assista NESTE LINK a beleza da concepção!)
PARABÉNS, VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA!!!!
PARABÉNS, VOCÊ ESTÁ GRÁVIDA!!!!
Independente da gestação ser super programada, não tão programada assim ou se foi completamente desprogramada, as dúvidas e os medos estarão borbulhando na sua cabeça, maaasssss....
Lembre-se que é muito importante driblar a ansiedade neste momento. Você ainda tem mais de 35 semanas para buscar informações e aprender a ter discernimento para definir o que é melhor para você e para o bebê. Não tenha pressa em definir qual ou como será seu parto, você ainda passará por inúmeras mudanças até chegar o dia de fato.
E na próxima semana falaremos sobre como se inicia o
desenvolvimento fetal, os principais sintomas do início da gestação e como
amenizá-los.
Laura Rodrigues
Fisioterapeuta Uroginecológica, Doula Aprendiz na Tradição, Instrutora de Pilates para Gestantes
Laura Rodrigues
Fisioterapeuta Uroginecológica, Doula Aprendiz na Tradição, Instrutora de Pilates para Gestantes
laurarodrigues.fisioterapia@gmail.com
Gostaria de agradecer a oportunidade de escrever neste blog e poder partilhar meu conhecimento com vocês. Sou fisioterapeuta uroginecológica, Doula Aprendiz na tradição, formada pela escola C.A.I.S do Parto e uma eterna aspirante de conhecimento. E deixo claro que existem diferenças significativas entre os dois “títulos”, cada qual com sua particularidade e de suma importância para meu desenvolvimento pessoal e intelectual. Tenho orgulho e muita alegria em poder dizer que sou fisioterapeuta e hoje também Doula Aprendiz.
Infelizmente quase nenhuma instituição de ensino cartesiano mostra como transmitir amor ao próximo, mas ensinam muito bem a técnica e como se proteger cientificamente diante das situações. Sou muito grata em ter estudado em uma instituição que me mostrou muito bem sobre todas as técnicas e a como RESPEITAR o próximo e suas diferenças. Hoje aprendo a cada dia como aplicar estes ensinamentos e juntamente transmitir o amor e os conhecimentos adquiridos pela tradição.
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
O Parto... é um Parto! (Parte I)
(Um necessário informativo sobre os
diferentes tipos de parto e de atendimentos à gestante. Por Mariana Janeiro)
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Antes de
tudo, é bom deixar claro: não sou
ativista. Salvo casos que exijam alguma interferência medica efetivamente
necessária, O PARTO DEVE SER UMA ESCOLHA
DA MULHER, E APENAS DELA. Não faço campanha online. Não vou à passeatas.
Apenas vou usar este espaço aqui (que é meu) para tentar transmitir algum
conhecimento que obtive e tentar desfazer o nó que o excesso de informações
erradas andam causando.
Sou Doula
na Tradição, formada pela escola CAIS do Parto, por Marcely e Marla Carvalho,
filhas de Suely Carvalho, parteira tradicional há mais de 30 anos e fundadora
do CAIS do Parto. Acompanhei, como fotógrafa, mais de 30 partos hospitalares e
exatos 7 partos domiciliares.
Sou Doula na Tradição. Não na humanização – que passou de ser
um termo usado para o tratamento que deveria ser dado às gestantes, para uma equivocada nomenclatura de ‘honra ao
mérito’. O que é uma pena. Explico mais adiante.
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Acontece
que o parto nunca é uma questão até que se engravide. No meu caso, a primeira
coisa que pensei foi: “Ok, esse neném vai
precisar sair de algum jeito! Mas como?!”. Por sorte, eu já sabia a
resposta pra minha pergunta. Mas nem sempre acontece dessa forma.
Algumas
gestantes deixam para pensar no momento do parto apenas na reta final da
gestação, o que é uma pena. Mas eu não as culpo, pois nosso sistema de saúde
(publico e privado) não se preocupa em
abrir um diálogo honesto sobre o nascimento. E quando o fazem, na grande
maioria das vezes, ignoram ou os desejos (e medos) da gestante, ou ignoram os
sentimentos do bebê e todo o traumático processo de nascer.
Quando
vamos para a internet, vejo que existe uma confusão constante sobre as
principais diferenças entra o parto feito através de cesarianas, partos
normais, partos naturais, partos humanizados, parto na água, etc. Existe muita
confusão sobre os benefícios, sobre os malefícios, sobre a real necessidade de
sentir dor, sobre a real necessidade de uma anestesia. “Mas e se você faz o parto em casa e o bebê nasce com algum problema?
Ou e se a mãe passa mal? O que é essa tal da ocitocina? O que raios faz uma
Doula?” – essas e tantas outras perguntas que escuto frequentemente e que
sempre tento responder a quem me pergunta. Mas também vejo muita resposta
equivocada e, não há nada pior do que
causar confusão em uma gestante e na sua família, num momento tão delicado
quanto este.
Por conta
disso, vou tentar destrinchar todos os modelos de parto, procedimentos, equipe,
nomenclaturas e atendimentos que existem atualmente nos nossos moldes
brasileiros, com o maior número de detalhes e links que eu puder compartilhar.
Vou tentar fragmentar em várias partes, sendo que ultima parte (seja ela qual número
for, rs) será inteiramente dedicado aos Partos na Tradição. E o motivo é
simples: é onde eu atuo, é o qual eu me identifico e é o meio pelo qual escolhi
trazer Gael (e espero que seja este que
ele tenha escolhido também, ta bom filho? <3)
Espero que
ajude um pouquinho nesta decisão tão bonita e tão delicada que é a de como
trazer nossos herdeiros ao mundo :)
Toda a
caminhada para o parto consiste em antes (Pré-Natal), durante (trabalho de
parto e o ‘parto em si’) e depois (cuidados com o recém-nascido, assistência
pós-parto para a mãe, puerpério e amamentação). Vou começar do meio, onde a
confusão é maior.
Vamos lá!
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PARTO HOSPITALAR POR OPERAÇÃO CESARIANA (ou
Cesárea)
Pode causar
estranheza eu ter colocado “operação cesariana”, mas o fato é que a famosa Cesárea
nada mais é do que uma cirurgia. Segue definição do dicionário:
Cesariana
s.f. Obstetrícia. Intervenção
cirúrgica para a extração de um feto do útero materno.
Assim, sem
massagem, a cesárea é sim uma cirurgia.
Apenas não é tratada como uma, tamanha a banalização e facilidade para se
fazer uma. Gosto de pensar da seguinte forma: ninguém chama o plantonista para
fazer uma cirurgia cardíaca. Mas sempre tem um plantonista pronto para
realizar uma cesárea.
Isso me soa
estranho, e ruim.
O Brasil é
um dos campeões em cesáreas desnecessárias. Entenda que, por desnecessárias, eu
quero dizer as que são eletivas (agendadas) onde a gravidez não apresentou
risco nem para a mãe e nem para bebê e onde ambos poderiam passar por um parto
normal (onde o bebê sai pela vagina) sem problemas.
Como eu
disse no começo, o parto é sim uma escolha da mãe. Mas fica um pouco mais
difícil fazer essa escolha quando os MITOS aparecem, alguns dos mitos são:
- A mulher não tem dilatação.
- A mulher não tem dilatação.
- O cordão
umbilical, se estiver enrolado no pescoço do bebê, pode levar à morte.
- Cesárea
não dói e é mais segura.
- O bebê é
grande mais e não vai passar pelo canal vaginal.
- As
contrações de um parto normal são insuportáveis e o processo é longo demais.
Engraçado é
perceber que a grande maioria dos questionamentos são sobre o parto normal. Até
onde pude constatar, não há grandes duvidas sobre a Cesárea: é só cortar, o bebê sair, tirar uma selfie e
ir para o quarto. O que mais me assusta não é a facilidade do raciocínio
(pois ele é realmente bem simples mesmo) mas sim o fato de que, com a cesárea o parto tornou-se um evento
da medicina, onde a mãe é coadjuvante e o bebê é o produto final. Digo isso
com convicção, pois vi de pertinho mais de 30 nascimentos hospitalares e, em
quase todos eles, o descaso com a mãe (num dos momentos mais frágeis da vida de
uma mulher) e o tratamento em massa que é dado aos bebês, ficou evidente.
Em defesa
ao parto normal (por via vaginal, é bom lembrar) tenho duas grandes considerações:
- O bebê
Até onde me
consta, quando uma cesárea é agendada, ninguém
perguntou ao bebê se ele estará pronto para vir ao mundo. O que muita gente
desconfia, é verdade: a conta do médico nem sempre está certa. A menos que você
saiba exatamente a data da concepção, é tudo um mistério e como todo mistério,
é cheio de variáveis.
Sou ruim de
conta, mas sei que a conta dos médicos vai até 40 semanas de gestação. Passou
disso entram os mitos (citados daqui a pouco) como: o bebê passou do tempo. Que
tempo? O dele ou o nosso? Complicado, não é?! E, se a conta do médico não é
muito exata, ele já pode estar de 41 semanas como também de... 38! Pois é.
Nós (da
Tradição) acreditamos que o bebê tem o tempo dele e esse tempo é exato e sábio.
Nem mais, nem menos. Ele dará seus sinais de que quer e precisa sair, e assim
será feito. Pra que apressar as coisas?
Fora tudo
isso, o que pouca gente se atenta é o fato de que o nascimento é uma ruptura
muito maior para eles do que nós podemos imaginar. Quando nascem, é a sua
primeira grande vitória e eles precisam fazer esse caminho do jeito mais
natural possível: sem grandes sustos, sem serem removidos à força e fora do seu
tempo.
Respeitar a mãe é essencial. Mas respeitar
o bebê também deveria ser uma prioridade. Digo isso pois, além da questão
do tempo temos também uma série de procedimentos (muitas vezes desnecessárias)
aos quais os recém-nascidos são submetidos: aspiração do nariz, colírios,
remoção imediata do colo da mãe, não-incentivo ao aleitamento materno nas primeiras
horas de vida, o banho (porque sim, aquela gosminha branca, chamada vérnix, é
muito boa para eles), e o corte do cordão umbilical enquanto ele ainda pulsa.
Tudo isso você pode encontrar bem explicadinho NESTE LINK .
- A famosa (E MUITO REAL) violência
obstétrica.
Ela ficou
famosa, ganhou imprensa e destaque só para nos dizer que: O sistema obstétrico
está cada dia mais podre e menos humanizado. (Neste texto, não pretendo dialogar sobre, apenas expor. Mas deixo o
dialogo mais do que aberto e convido a quem se interessar para se manifestar
nos comentários). A violência
obstétrica acontece para todos os graus sociais, em todos os hospitais
(particulares ou públicos). Começa antes mesmo da mulher ser admitida e quem
acredita que termina quando ela tem alta está MUITO enganado. O ciclo vicioso
funciona mais ou menos assim:
O médico
diz para a mulher que “Semana que vem já estamos na 40a semana,
vamos marcar a sua cesárea!” e a mulher, claro, aceita. Por confiar no médico e
temer que qualquer coisa de ruim possa acontecer à criança.
Chegando no
hospital, ela precisa muitas vezes escolher: ou o marido, ou a doula (se ela
tiver uma) ou o fotógrafo (se ela quiser registrar). Não há a menor chance
dessas três pessoas entrarem juntas. Se a gestante quer a mãe dela e o marido,
não pode também. A lei diz que ela tem direito a UM acompanhante, e é apenas
isso que ela vai ter.
Daí pra
frente, o show de horror desanda:
-
Tricotomia, que é a raspagem dos pelos pubianos – e, convenhamos, um processo
bem do humilhante.
- Estourar
a bolsa d’agua para ‘acelerar’ o trabalho de parto
- Aplicação
de ocitocina sintética (que, é um hormônio produzido naturalmente) sem o
consentimento da mulher.
- Ofensas e
humilhação da gestante e familiares (não foram raras as vezes que ouvi coisas
como: “Na hora de fazer não gritou né?”, “Cala a boca!”, “Por que grita tanto?”
e outras...)
-
Discriminação racial – é comprovado que as mulheres negras esperam mais por um
atendimento do que as outras mulheres.
- Exames de
toque frequentes, desnecessários e feitos sem o menor cuidado.
- Total
descomprometimento da equipe com a gestante.
- Nenhuma
sugestão para a troca de posição durante o trabalho de parto (que, além de
desconfortável é, por si só, contra a gravidade)
- Episiotomia,
nome dado ao corto que é feito entre a vagina e o ânus para facilitar a saída
do bebê (na desculpa de que ele sairá mais fácil e que ‘o bebê ia rasgar
naturalmente mesmo’)
- Uso de fórceps.
- Manobra
de Kristeller, que é a pressão feita sobre a barriga (muitas vezes por
enfermeiros enormes e muito fortes) para empurrar o bebê (!!!!!!)
- Não
deixar que a recém-nascido venha diretamente para o colo da mãe assim que
nasce, mantendo a mesma amarrada à cama.
Quando uma
mulher tem consciência do seu corpo, deseja um parto natural e acaba (por
inúmeras razões) tendo um parto por cesárea, acontece o óbvio: a mulher tem o seu parto roubado. E
com ele, parte da sua humanidade, do seu ser e da dignidade. Além do filho,
resta muito pouco. Perto das feridas físicas, a ferida na alma é algo que
demora para cicatrizar. SE um dia se cicatriza.
Contra
fatos, não há argumentos. Por isso, deixo aqui o link direto para um
documentário que toca direto e reto na ferida (literalmente):
http://youtu.be/eg0uvonF25M
http://youtu.be/eg0uvonF25M
PORÉM....
Em
contrapartida, devo defender também que SIM, em alguns casos a cesárea é bendita, bem vinda e salva vidas.
Alguns casos são:
-
Eclampsia, que é uma hipertensão que a mulher desenvolve durante a gestação.
- Diabetes
alta e grave.
- Gestantes
portadoras de HIV
- Casos de
placenta prévia total, quando o deslocamento da placenta bloqueia a saída do
bebê.
- Prolapso,
quando o cordão umbilical sai antes do bebê, cortando o fluxo de sangue para
ele.
Sobre os
mitos e verdades, é possível saber de quase todos eles NESTE LINK. A escrita é um pouco irônica, mas a informação é
válida.
A cesárea não é vilã. A desinformação, sim.
Mas existem
as mulheres que realmente não querem sentir dor, que por algum motivo precisem
imprescindivelmente agendar a data do parto, que sentem um medo muito real do
parto normal e que irão se sentir mais seguras na precisa de uma equipe médica
treinada – minha prima é uma delas. Elas escolheram sim ter a cesárea por algum
tipo de conveniência. E o que nós temos a ver com isso? Nada! Deveríamos
respeitar quem opta por este modo de trazer os filhos ao mundo, uma vez que
ninguém sabe o peso da carga que a outra carrega.
E é neste
ponto onde eu acho que, honestamente, as ativistas da humanização falham. E
falham feio. Já cansei de sentir vergonha alheia e tristeza em fóruns do
Facebook quando uma mãe diz que OPTOU pela cesárea e, praticamente segundos
depois, um batalhão ‘humanizado’ aparece para julgar a opção e,
instantaneamente, fazer essa mulher se sentir menos mãe, menos mulher, menos
merecedora do filho que tem.
Chega a ser
um absurdo que denominem-se ativistas humanizadas uma vez que, assumindo essa
postura, tiram pouco a pouco a humanidade daquela que está ali muitas vezes
precisando de apoio, de ajuda, de empoderamento.
Estamos
aqui e precisamos uma das outras para que tenhamos autonomia, que sejamos
informadas e que, com isso, possamos fazer a escolha que nos parecer melhor e
mais segura! :)
Na próxima
parte pretendo abordar o parto normal (hospitalar) e o tão famoso parto natural
em hospital. Será que ele existe mesmo?
Até!
<3
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