domingo, 21 de setembro de 2014

Depois de duas cesarianas, parto natural é possível sim!!!

Bruna agradece ao filho Ben por essa vivência

Filho, já faz quase 3 semanas que você está aqui, do lado de fora, e não passou um dia sequer que eu não revivesse o seu nascimento. Aquela noite de domingo chuvosa me trouxe de volta à vida. Ascendeu dentro de mim sentimentos que eu buscava desde que cheguei à essa encarnação. Passei a sua gestação inteira me fazendo uma única pergunta: o que será que eu busco tanto nesse tão sonhado parto natural? 
A resposta que me vinha sempre a mente era de que não passava de pura vaidade. Uma prova de que eu era capaz. Eu estava errada filho. O que eu buscava era conexão. 
Conexão com você, com seus irmãos, com o meu corpo, com as suas avós e bisavós. Eu buscava cura para a alma. Afinal, o meu direito a todos esses sentimentos me foi tirado com duas desnecesáreas. Eu sonhei muito com o momento do seu nascimento, pequeno, mas nada do que eu ouvi, nenhum vídeo ou depoimento poderia ter me preparado para o que nós vivemos. Logo nas primeiras contrações, aquelas, fraquinhas, tímidas, eu abri meu coração. Nós dois conversamos e eu disse que estava preparada, que você podia vir. 
Estávamos todos prontos para recebê-lo. A casa tava cheirosa, suas roupinhas limpas e a vida já não fazia mais sentido sem você. Disse a você que viesse no seu tempo, que eu driblaria a minha ansiedade e curiosidade em conhecê-lo. E naquela sala de parto, naquele "delivery", eu me rendi. Me entreguei à dor, ao desconhecido, à paciência. Me entreguei e me desprendi. Percebi o quão pretensiosa eu fui ao pensar que eu poderia controlar. Só mesmo eu para achar que seria como eu havia planejado. E na penumbra daquela sala, nas palavras doces da Thiana, mas acima de tudo na crença de que eu era capaz, eu pari. Eu vivi cada segundo. E no relógio, de cada segundo fez-se a eternidade. Foram duas horas apenas. Foram duas horas que curaram o gosto ranço de 12 anos. 

Duas horas que me foram tiradas quando me fizeram acreditar que eu não saberia, não gostaria e pior não conseguiria parir. Ben, meu filho amado, obrigada pelas duas horas mais incríveis da minha vida. 

Obrigada pela incrível jornada, pelos ensinamentos, pela coragem de vir à essa vida com uma responsa tão grande. Naquele primeiro de setembro nascia você, sua irmã e seu irmão. Naquela madrugada eu renasci. Minha eterna gratidão à Thiana, que sutilmente entrou no meu ser. À Mari, que entre um enquadramento e uma piada faz a vida leve e retratou a chegada do pequeno com tanta grandeza, sem perder a simplicidade. À minha médica, Betina, que num meio onde os egos estão sempre brigando, não se importa em fazer o papel de coadjuvante. E ao meu marido. Meu companheiro de vida. Que mesmo no seu silêncio entendeu o meu resgate, o meu pedido de cura e não mediu esforços para me apoiar incondicionalmente.










Bruna Okamoto
Mãe da Sofia, do Theo e do Ben
Equipe: Betina Bittar Abs (Obstetra), Thiana Ferrarezi (Doula) e Mariana Janeiro (fotógrafa)

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