sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

PARTO: como passou a ser da medicina

Foi no século XVII que uma grande transformação ocorreu na obstetrícia: a introdução dos cirurgiões na assistência ao parto, pois ainda não existia a obstetrícia e a ginecologia como especialidade médica. A morte da nora de Maria de Médicis, duquesa de Montpensier, ao dar à luz, foi um evento determinante, e Louise Borgeois deixou de ser a parteira da família real. Madame de Montespan foi a primeira mulher a ser auxiliada por um homem no parto, ao dar à luz na presença de Julien Clement, que se tornou o primeiro cirurgião-parteiro.

O rei Luis XIV assistiu ao parto atrás de uma cortina. Houve uma reação quanto a presença masculina no parto, como a do catedrático Phillippe Hequet, que publicou um artigo sobre a "incidência dos homens que fazem o parto das mulheres".
Apesar de tudo, as burguesas logo quiseram seguir o exemplo da rainha, e a entrada do médico no quarto das parturientes foi acompanhada pelo ABANDONO PROGRESSIVO DO PARTO DE CÓCORAS, em benefício da cama.

Com o passar do tempo, os médicos assumiram cada vez mais o controle da assistência ao parto. Desabituados do acompanhamento de fenômenos fisiológicos, foram formados para intervir, resolver casos complicados e ditar ordens.

O parto então passou a ser visto como um evento cirúrgico, como um outro qualquer, e a parturiente, agora
Parto Normal Hospitalar
chamada de "paciente", é tratada como uma doente e impedida de seguir seus instintos e adotar a posição mais cômoda e fisiológica. É a era do parto médico, no qual a mãe deixa de ser a figura mais importante da sala, cedendo lugar à equipe de médicos. Os papéis se invertem e o obstetra passa a ser o centro da cena, obrigando a parturiente a se deitar numa posição desconfortável, com as pernas suspensas. Ela agora é impedida de adotar a posição que acha mais confortável, violentada em seu direito básico de escolha e participação ativa no nascimento do próprio filho. As posições verticais, que ao longo dos milênios foram as mais usadas pelas mulheres em trabalho de parto, em todas as raças e culturas, lhes são negadas pelo obstetra. A "paciente" mal informada e indefesa num momento tão importante como o do nascimento, aceita passivamente essa condição submissa e entrega-se às ordens de um médico onipotente e autoritário. O princípio básico da medicina, "primeiro não ser nocivo", deixa de ser aplicado e a não observação de preceitos básicos de fisiologia obstétrica transformam o parto normal em um ato cirúrgico. O normal é confundido com o patológico, a pressa e a ansiedade tomam lugar da calma e da serenidade. A observação atenta dá lugar à intervenção sistemática e desnecessária.
(Fonte: Gestação, Parto e Maternidade: Uma visão holística - De Emerson de Godoi Cordeiro Machado)

O termo "parto humanizado" surgiu para dizer que é hora de abandonar essa forma de assistência ao parto. Quando o parto se tornou um evento médico, passou a ser tratado de forma "violenta" e depois de muitos e muitos anos, é necessário humanizar esse atendimento, ou seja, voltar a respeitar a fisiologia do parto, a mulher e o bebê. Diz que é preciso atender aos partos como sempre foram atendidos pelas parteiras. Mas ainda assim, se o parto é fisiológico e natural, para uma gravidez sem risco, o lugar certo para nascer não é no hospital e sim em casa, com parteira. Deixando o hospital e os médicos disponíveis para intervirem caso seja necessário.

Vale a pena uma reflexão sobre a forma como atualmente as mulheres escolhem o nascimento de seus filhos, bem como se é hora de refazer essas escolhas.


O "parto humanizado" se refere para quando é no hospital, pois em casa já é naturalmente respeitoso e humanizado.

Existem hospitais e médico atualmente que usam o termo "humanizado" para dizer que estão dispostos a serem menos invasivos e mais respeitosos em relação ao parto. Mas de qualquer forma, dentro do hospital, é menos provável que isso seja possível, devido a regras e procedimentos necessários dentro da instituição.

Parteira Marcelly Carvalho, Parteira,
alscutando o bebê no parto domiciliar

O parto domiciliar, atendido por parteiras, além de humanizado naturalmente, é seguro e respeitoso. A mulher é assistida integralmente em suas necessidades fisiológicas, emocionais e espirituais. Acolhida em seus medos, respeitada em suas escolhas e orientada quanto a evolução do trabalho de parto e estado de saúde do bebê por nascer. Além de ser uma vivência profunda e transformadora para a mulher, o bebê e toda a família.


Os partos em casa são atendidos por parteiras. Atualmente existem também enfermeiras e obstetrizes atendendo partos domiciliares. Primordialmente e essencialmente as Parteiras são preparadas e sempre atualizadas para cuidarem da gestação, do parto e maternidade como um todo.


Thiana | Doula

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